A pedagogia do olhar
Foi que pensei que se o mundo estivesse dividido entre porra-loucas e filhos da puta, não seria muito dispendioso para mim, agregar-me aos primeiros. A sacanagem sem gozo me irrita profundamente. Muita mesquinhez ou coisa que o valha. Fora de qualquer propósito de felicidade. Era isso que eu buscava; propósito de felicidade. Os porra-loucas pareciam ter algum. Quando bebiam riam com facilidade e quando não bebiam, não conseguiam disfarçar a sede, mesmo tentado. Suas desculpas vazavam ao molde do absoluto, que muitos buscam para o que dizem. Quando comiam...; bom quando comiam aí é que ficava translúcido o espaço entre as microconstelações que se abrigam em seus olhares. Era engraçado ver brilhos emergindo do escuro de seus olhos. Saltavam a face como invertendo a função que a natureza havia lhes guardado. Antes de ver, eram vistos.
Foram circunstâncias como essas, que me levaram ao hábito dos porra-loucas, apesar de ter nascido num mundo de filhos da puta.
Escrito por Zé às 17h33
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