Resposta (aberta) ao amigo Jean –
Conectei-me para ver e-mail e resolvi dar uma passadinha pelo “Crônica”, “Insólitos”, “Arca Brasil” e, por fim, “Praça”. Fiquei surpreso com a carta que o Kleber postou para mim. Na verdade ele está a responder, também, a Tote e, de uma forma geral, a todos que por aqui passam. Não poderia, então, deixar de respondê-lo neste mesmo endereço. Tenho refletido um pouco sobre blogs. Quando você diz na carta “É que ando de pouco senso e gosto, vir aqui para dizer algo e esperar eco” pensei na idéia de amadurecimento do uso do espaço. E por que se deu dessa forma? Esgotamento! Essa é a palavra, acredito. Depois de um longo período escrevendo o “Personas”, dei-me conta que também havia esgotado uma certa dissimulação, um certo “tampar o sol com a peneira” quando me posiciono diante de meu blog. Sim, o nome deste formato é blog. Sim, o que estamos a alimentar é um blog! O que estou a dizer, afinal? Falo do vício que um blog desenvolve em nós. Falo dos nossos textos, das nossas idéias mendigando um registro no campo de comentários. Ora, a partir do esgotamento damos conta, e nos envergonhamos, que não há a necessidade do leitor manifestar-se no sentido de estar “massageando” o ego do autor de um blog. Este já é um vício recorrente. Admitamos, nós, autores de diários virtuais, o quanto isso se tornou um vício desprezível. Exigir menos a caridade do leitor e mais o engrandecimento “espiritual” do autor. Deve ser dessa forma, pois devemos ser duros conosco para podermos crescer um pouco mais e com dignidade. Mesmo explicitando essa idéia, tenho certeza que muitos negarão que as coisas se dão dessa forma num blog. E não é a negação a maior verdade quando julgamo-nos diante dos outros? Vale dizer, então: talvez uma solução mais próxima do aceitável seja a comunicação off-line entre autor e leitor. Caso o que lê tenha necessidade de ressaltar algo do texto poderá fazê-lo diretamente com o autor através de um e-mail que o Blog deixará disponível aos visitantes. Mas, Kleber, pode ser que não é nada disso que você esteja a falar...
Um abraço do amigo Luís.
Escrito por Luís César às 19h26
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Carta aberta ao amigo Luís César
Caro amigo,
Espero que tudo esteja bem com você e aqueles que também lhe são caros. Por aqui, vou indo em meio a e-mails e outras comunicações que se encaminham e se interrompem, sem que a gente saiba direito os motivos. São os trumbicamentos que toda história possui. Gargalos, porque não.
Pois bem, escrevo-lhe abertamente para dizer não dos motivos da Praça parecer cansada, mas para tratar do cansaço que me acomete. É que anda de pouco senso e gosto, vir aqui para dizer algo e esperar ecos. Sei que aqui e acolá reverbera, como seus Picles o fazem hoje, mas penso que estacionei no banco da Praça e de silêncio em silêncio, resolvi andar pela cidade. Coisa que não fazia há tempos. Ia na casa de poucos amigos e raras vezes nos ultimamente. Daí essa idéia de que a praça não pode ter endereço. Permanece entretanto esse. Para dizer qualquer coisa, de quando em vez. Mas vou tentar outros modos de convivência aqui na dita blogosfera, quem sabe mais dispostos a instantaneidade e transfiguração dessa mídia eletrônica. Ressalto entretanto que não faço isso por comodidade, mas porque tudo estava parecendo cômodo demais para um quarto só.
Fico nessas linhas e a gente se encontra em outras certamente.
Grande abraço!
Kleber
ps: Já havia mencionado que desenvolvo pesquisa sobre a temática da cibercultura. Devo dizer que entre outras coisas, essas existências de Zé, de outro e de Praça fazem parte dessa discussão que faço. Assim, a quem interessar possa, até setembro/outubro, haverá uma tradução textual do que tento pensar agora.
De novo abraços e até...
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 15h55
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Sobre o tempo e o vento
Já não mostrava a cara nessa página há um bom tempo. Nisso muita coisa aconteceu e a página ficou paralisada, como um espaço que se instala num instante e teima em permanecer ali, até que alguém lhe redirecione. Um mundo disposto ao uso. Um mundo de usuários.
Bom quando as coisas estão em uso, não se percebe o desgaste das mesmas. Usa-se compulsivamente até que a fadiga se instale. É o tempo que aparece e diz que enquanto em uso, não se lhe via, mas ali estava, mesmo que por um instante apenas.
São novas experiências. Novas realidades.
Vez por outra venho aqui para ver se alguém apareceu na Praça. Saudades dos tempos de Praça. Mas eu mesmo ou algo que assim se reconhece, precisava de outros ventos que não se percebem bem, nesses tempos instantâneos de postagens.
Daí minha ausência.
Um grande abraço a todos e até breve.
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 14h56
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