Lula diz o que pensa
Segmentos da sociedade brasileira murmuram e por vezes gritam por um presidente calado. Que o Lula tropeça na língua, não há como negar. Fazer disso um palanque é outra coisa. Não é de hoje que essa estratégia dá notícia. Sérgio Motta e a excessiva masturbação sociológica da Dona Ruth, esposa do FHC, que se referiu aos aposentados pejorativamente e pagou caro. Assim não começa no Lula e nem vai terminar nele. Mas nesse caso especificamente, em questão estão ressentimentos, interesses corporativos, preconceitos e a eleição que se avizinha.
Tenta-se colar, acredito que em vão, no Lula, algo que ele parece jamais ter feito questão de esconder em sua história. Seus tropeços verbais. Talvez por isso, não pegue. Talvez por vivermos num país iletrado, essa questão sequer se projete no imaginário nacional.
Lá onde ser machista é muito mesmo grave que ser marxista, até mesmo na dimensão feminina da coisa. Lá onde dizer o que pensa, por mais que se tente escapar dessa virtude, ainda qualifica alguma bravura. Como se a imaginação popular (exagero genérico) afirmasse que antes uma língua que tropeça, do que uma língua anódina de celulose, que cospe um discurso sem dono.
Hora de aprender um pouco mais sobre a gente mesmo. Hora de gritar pra gente mesmo; toca o bonde, que eu quero saber como você pensa para entender o que você diz. Como Lula pensa? Hora de perguntar isso pra ele também. Abraços!
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 11h23
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