Janelas
Estava olhando da minha janela a vida que passava. De vez em quando quase me via na janela, tamanha era minha vontade de ver. Vagava e nesse vagar, sentia aquilo que me permitia tanta observação. Olhando sem saber direito o cheiro que as coisas tem. Daí, resolvi respirar um pouco ainda na janela. E cheiros vinham e me confundiam quando queria separá-los. Não se pode nesse mundo separar cheiros por mais que alguns prevaleçam em situações específicas. Sobrepõem-se apenas, para em seguida, o costume afastá-los. Não sentindo bem o cheiro do mundo, por habito ou displicência, senti-me como um distante observador de cheiros. Cheiros do mundo de vida distante. Dei ouvidos então aos sons que se precipitavam até minha janela, mas uma voz em mim se dizia mais forte e fez em mim, o que sei por própria injúria ser o máximo do egoísmo que me coube. Daí talvez, gritar fosse a última possibilidade, como sugere o César, para um mundo sem cheiros e sons. Melhor, um mundo sem cheiros, pois há ainda uma voz, que soa em mim mesmo ante essa janela.
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 14h38
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