25 anos de PT
um movimento simpático
Tenho 37 anos. Assim, quando nasceu o PT era um garoto que vivia pelas calçadas atrás de uma bola de futebol. De lá pra cá, muita coisa mudou em minha vida. Fui vários e vários, a ponto de hoje conseguir desconfiar que essa coisa do ser, cheira um tanto a enrolação da existência num plano fixo.
Filosofias a parte, ontem foi o aniversário do PT e busquei ler comentários sobre a data. Parei no segundo. Parece um ressentimento de jornalistas “consagrados” com a história desse partido. Tipo aquele que jamais perdoara, não deve ser perdoado. Uso perdoara, pois não creio que o dito partido tenha em sido, em momento algum, uma entidade homogênea e sem crises. Ao contrário, nos anos que acompanho esse movimento, algo na casa de 20, vejo principalmente a exposição das entranhas das tendências que compunham a sigla.
Essa guerra, por sinal, me impediu de ingressar no partido. Acho importante a crise, mas revolução com massa de manobra nunca me agradou. Assim, se petistas clamavam externamente por uma moral disciplinadora na relação com a “res publica”, por outro lado, via uma guerra dita “fratricida” e “sem querer querendo”, inventava uma ética para si. Fazia o partido pulular nos corações e mentes das pessoas, dos mais variados segmentos sociais. Tanto que se produziu a figura do simpatizante. Isso não é pouco.
Desde então, essa tem sido minha relação com o PT. Às vezes uma simpatia cordial (como agora), noutras uma simpatia apaixonada (mais comuns em pleitos eleitorais). Assim racionalidade e alguma magia ainda apontam meu indicador para o 1 e o 3 nas urnas eletrônicas.
Faço isso não apenas por esperança de dias melhores. Faço principalmente por achar que essa experiência chamada PT, ultrapassa os momentos em que o partido administra cidades, estados e agora o país.
Dizem que essas administrações têm dilapidado o maior patrimônio do PT, que seria a militância. Penso diferente. Observando o contemporâneo e suas configurações subjetivas, a dita militância jamais foi maior que a simpatia que ainda reflete na estrela vermelha. E isso nem sempre é fácil de explicar. Grande abraço!
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 10h09
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Sobre palanques e a vontade de ser
Postei outro dia a desconfiança desse Brasil ser um país voltado para rir dos outros e de si, com motivações as mais distintas. Logo se toma essa questão como uma característica negativa da nossa cultura, o que pode vir a ser mesmo. Mas desconfio que ela seja antes um sintoma dessa questão. Uma maneira de responder rapidamente ao “cara de palhaço, pinta de palhaço,...”. Acho que o César e a Sarah encaminharam nesse sentido.
Mas antes de focar a brasilidade múltipla que se estende mundo afora, penso que talvez acrescente conversar um pouco sobre como essa coisa do palanque toma outras culturas, quase que invariavelmente. Tipo os discursos de Fidel nas praças cubanas e a bandeira americana em guardanapos que sustentam a gordura que escapa dos bigsandubas.
Têm-se dezenas de possibilidades de leitura desse acontecimento. Maneiras várias de entender esses processos de formação das subjetividades. Mas outro dia, após ler “A hermenêutica do sujeito” de Michel Foucault e de me deparar com o destaque num endereço de notícias da Internet, que dizia algo como 100 petistas abandonam o partido no Fórum Social Mundial, derrubei algumas fichas.
Isso está ficando longo, mas vou deixar o Foucault de lado e ficar na questão Fórum, (ex)petistas e mídia. Comecei a imaginar o que poderia ter sido para essa centena de cidadãos o que seriam os últimos momentos antes do anúncio, usando o palanque do Fórum e da mídia desse êxodo partidário.
Aí fico triste ante as conclusões que chego, pois concluo provisoriamente que esses que partem, na dimensão ética que a vida pública requer, não são nem um pouco diferentes daqueles, os quais acusam disso, daquilo e aquilo outro.
Explico: penso que todo fim é um começo, mas todo fim pede um resguardo. Pede um voltar-se para si, não só para remoer as motivações aparentes da ruptura, mas também para buscar outras análises daquilo que se fez; melhor, daquilo que se fazia, de como se fazia, para fazer diferente na vida nova que se quer para si.
Há 2500 anos Sócrates inquiria Alcebíades a saber de si, a voltar-se a si, para conhecer-se e assim melhor governar-se. Posto estaria em formação a figura do governante, daquele preparado para entender as demandas da cidade. Há coisa de 2000 anos Sêneca apontava para um saber de si, um voltar-se para si, não apenas para conhecer-se, mas principalmente como forma de construir a vida, a liberdade possível que através do pensamento, da filosofia, cada vida poderia constituir-se. Uma invenção de si. Isso quem diz é Foucault em passagens do livro citado. Pergunto: para onde se voltam os ex-petistas? Ajudem-me, pois não consigo em minhas respostas ir além do palanque. Grande abraço!
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 18h44
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