Cuspindo conversa na praça !

    Caros amigos, conforme todos já sabemos, a Língua Portuguesa pertence ao tronco das Línguas Românicas e, portanto, originou-se do Latim. Estive relendo um texto do filólogo Bruno Basseto, professor da USP, no qual ele afirma que coexistiam, durante o Império Romano, três variantes da Língua Latina : o Latim Literário, o Latim Urbano e o Latim Vulgar. Bem, resumidamente, pode-se afirmar que a primeira variante citada correspondia à uma espécie de forma arcaica da língua padrão e, portanto, apenas podia ser encontrada nos textos das principais obras latinas; quanto à segunda variante, além de compor o falar da elite letrada de Roma, correspondia à Norma Culta, aliás, havia para o Latim Urbano uma Gramática a fim de assegurar que todas as regras da língua oficial fossem preservadas tanto no texto escrito quanto na oralidade; a terceira e , na minha opinião, a mais interessante, tem seu surgimento a partir do encontro do Latim Urbano e dos idiomas e dialetos existentes nas regiões conquistadas pelo Império. Em razão disso, o Latim Vulgar não possuía uma forma escrita, apresentava-se apenas na fala cotidiana dos componeses, dos soldados, enfim de todos aqueles que copunham o povo romano. E, ressalte-se o fato que todas as línguas românicas que hoje existem, tais como, Francês, Português, Italiano e Espanhol, são provenientes dessa última variante. 

Uma piada que encontrei por aí na Internet :

Um professor ao passar por uma rua movimentada do centro, vê uma camelô apregoando seus produtos da seguinte maneira :

- Dois real o saco de bala de leite!

Extasiado, o professor se aproxima do rapaz e diz :

- Amigo, se você falasse da forma correta, tenho a certeza de que venderia muito mais produtos.

- Ah é !? Pergunta o camelô.

- Sim, você só precisa dizer dois reais, cinco reais...

Eis que surge de repente um comprador que pergunta :

- Quanto é esse pente ?

- Um reais. Responde o camelô.

Ao ouvir aquela blasfêmia, o professor se aproxima do camelô e dispara a seguinte frase :

- Por favor, esqueça tudo o que eu disse !!!

O camelô sem entender nada, exclama :

- Shiii, o cara tá doido !

Bem, daí o professor sai resmungando indignado :

- Güenta, professor, güenta...

    A piada acima, acreditem, foi a minha fonte de inspiração (rs) para este post. Há pouquíssimo tempo, nessa praça, lemos um texto postado pelo Maikel, no qual um juiz exigia judicialmente que todos os funcionários de seu prédio o chamassem de Dr. e, assim como o Sr. Dr. juiz exige um tratamento diferenciado, o professor (da piada) indigna-se com a ignorância do camelô. Em razão disso, lanço a vocês uma pergunta que fiz em meu blog : Por que tendemos mais à verticalização do que à horizontalização das relações humanas ? Entenda-se por verticalização a estrutura de poder, na qual as pessoas são dispostas em câmadas, como numa pirâmide. Já a horizontalização homogeiniza as relações, ou seja, não há grupos de poder. Todos se encontram no mesmo nível.

    No âmbito da linguagem, os indíviduos são doutrinados a acreditar que o nosso idioma pode ser compreendido à luz da dicotômia presente nos conceitos de certo e errado. A partir dessa idéia, toda a Língua Portuguesa passa a ser pensada como um conjunto de regras que precisam e devem ser aprendidas a fim de alcançarmos a dita "excelência textual". O erro lingüístico daquele que, pasmem, não conhece e não respeita o padrão culto da língua é severamente punido (simbolicamente falando) com críticas e piadas como a que acabamos de ler. Creio que talvez esses pseudo-intelectuais que defendem a correção e a pureza textual tenham se esquecido de estudar a História da Formação da Língua Portuguesa. E essa História conta que apenas a FALA cotidiana, repleta de erros e intenções é capaz de fazer brotar um idioma. E, a propósito, se refletirmos sobre o fato que o nosso idioma é proveniente do Latim Vulgar, variante utilizada pelo POVÃO romano, e que essa variante já foi considera inculta e despretigiada pela elite intelectual de Roma, teremos de deixar para lá essa conversa de Norma Culta e assumirmos uma nova nomenclatura que designe esse conjunto de regras gramaticas que compõem a nossa língua. Gosto do termo VARIANTE PADRÃO. O que vocês acham ?

    Atualmente, no Brasil, um homem oriundo das camadas populares ocupa o cargo de Presidente da República e gostaria de aproveitar essa reflexão para alertá-los de que a imprensa não perde uma oportunidade sequer de nos lembrar a origem humilde do atual presidente. Aqueles "engraçadíssimos" dicionários do Lulanês simplesmente me enojam. Numa sociedade que apresenta níveis alarmantes de analfabetismo, ironizar alguém por seu grau de escolaridade é uma atitude mesquinha, cruel, elitista,desumana e burra.

    Para finalizar essa reflexão, eu gostaria de oferecer a todos vocês trechos de um dos mais bonitos poemas do escritor cordelista Patativa do Assaré. Atentem para a beleza da forma e do conteúdo presente nestas despretenciosas linhas. E, como dizem por aqui, continuemos a cuspir conversa...Até a próxima cuspida.

Kléber, muito obrigada pelo convite. Adorei.

AOS POETAS CLÁSSICOS

Poetas niversitário,

Poetas da Cademia,

De rico vocabularo

Cheio de mitologia;

Se a gente canta o que pensa,

Eu quero pedir licença,

Pois mesmo sem português

Neste livrinho apresento

O prazê e o sofrimento

De um poeta camponês.

Eu nasci aqqui no mato

Vivi sempre a trabaiá,

Neste meu pobre recato,

Eu não pude estudá,

(...)

Nasci entre a natureza.

Sempre adorando as beleza

Das obra do Criadô,

Uvindo o vento na serva

E vendo no campo a reva

Pintadina de fulô

(...)

Sou um caboclo rocêro,

Sem letra e sem instrução;

O meu verso tem o chêro

Das poêra do Sertão.

(...)

Deste jeito deus me quis

E assim eu me sinto bem;

Me considero feliz

Sem nunca invejá quem tem

Profundo conhecimento.

Ou ligêro como o vento

Ou divagá como a lesma,

Tudo sofre a mesma prova,

Vai batê na mesma cova,

Esta vida é sempre a mesma.

 



Escrito por Laura às 02h02
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Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano, hoje

 


MUDANÇA DE RUMOS


Alunos que liderarão centro acadêmico criticam "política estéril"

Chapa "A Escória" ganha eleição na Faculdade de Direito da USP

MAYRA STACHUK


DA REPORTAGEM LOCAL


O que diriam políticos como Ulysses Guimarães, Jânio Quadros e Júlio Prestes ao verem um posto já ocupado por eles ser conquistado por uma turma cujo lema é "balada, bebida e putaria"? Pois esse grupo, A Escória, tomará posse do tradicional Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da USP, em janeiro de 2005. O traje, ressaltam, será bermuda e camiseta. Nada de terno e gravata como acontece desde 1903.
O presidente da chapa, Fernando Borges Filho, 21, diz que o lema é emblemático e simboliza a revolta contra a direção da instituição, que proibiu festas na faculdade, e a "promiscuidade política que vinha sendo feita na entidade havia anos".
Já um dos diretores e fundadores da chapa, Thiago Rhys Cass, 21, é mais direto. "Não somos uma confraria de devassidão. Representamos uma espécie de arauto do falso moralismo, da política estéril que reinava no CA havia décadas."
A eleição do grupo, que envolveu acusações de fraude, violação de urnas e venda de votos, quebra a tradição de gestões politizadas. Os 550 votos indicam que grande número de alunos concorda com a postura "apolítica". "Não acreditamos que a universidade é centro transformador do universo. Somos só uma chapa estudantil", diz Cass.
Segundo ele, A Escória representa o que são: a ralé, a síntese de tudo o que não se espera do aluno da faculdade, ser politicamente combativo e engajado.
As propostas incluem reavaliar a importância e necessidade de projetos sociais do CA. "Cortaremos o que for usado como trampolim político."

 



Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 10h35
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Laura, convite feito no endereço solicitado. Abraços da praça!

Escrito por Zé às 12h17
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vamos pedir piedade pra essa gente careta e covarde

“Quem quer manter a ordem?
Quem quer criar desordem?”




Matéria do Jornal Nacional de ontem, dia 08 de novembro de 2004.

Um juiz de São Gonçalo, região metropolitana do Rio, entrou com uma ação na Justiça contra o condomínio onde mora. Ele exige que todos os funcionários o chamem de ´doutor´.

De um lado o porteiro do condomínio, do outro o juiz estadual Antonio Marreiro, morador do prédio. Entre os dois um problema: o porteiro chama o morador de Antonio, às vezes só de ‘você’. O juiz exige dele outro tratamento, mais respeitoso.

O que parecia só desentendimento a ser resolvido em reunião de condomínio virou disputa judicial, em Niterói. Na ação, o juiz pede para que ele e seus convidados sejam tratados como ‘doutor’ ou ‘senhor’. Entre as justificativas está a que ele não é um cidadão comum.

Enquanto a ação não é julgada, a Justiça concedeu a ele o direito provisório de ser tratado como deseja, na portaria do prédio.

No edifício ninguém fala sobre o assunto. Nem o advogado do condomínio. É que o juiz Antonio Marreiro também conseguiu uma liminar todos e falarem sobre o processo. A multa é de R$ 1 mil.

“Neste momento eu prefiro não falar”, diz Geraldo Lemos, advogado do condomínio.

O juiz Antonio Marreiro não quis gravar entrevista. Ele disse apenas que não vai abrir mão de resolver os problemas dele com o condomínio na Justiça.
Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil, não existe lei que defina como duas pessoas devam se tratar durante uma conversa.

“O que assusta mais é que isso é retrocesso muito grande, porque todo mundo é igual perante a lei e obviamente entre si mesmo. Então, eu acho que o que deve haver entre duas pessoas é respeito", afirma Carmem Fontenelle, vice-presidente da OAB do Rio”.
(Texto integral da matéria, publicado na página do Jornal Nacional, na Globo.com).


Típico exemplo de “você sabe com quem está falando”. Pessoas de “alma bem pequena”, que enchem a barriga de uísque, a gaveta de títulos vazios e se sentem no direito de nos julgar. Estado de Direito torto, este nosso.


Em matéria sobre os sem-teto, um policial comenta a repressão da PM, dizendo: “A função da PM é preservar a ordem pública”. Só se for a ordem pseudo-natural das coisas, a ordem dos “estabelecidos”: aos outsiders, a rua; ao povo da rua, a morte. Simples assim, como dizer “oi”.

A mídia engole a conversa fiada. Diz-se democrática, mas continua surda aos apelos das maiorias que, ao contrário do que pensa Baudrillard, nem sempre são silenciosas.



Escrito por Maikel Psico às 14h38
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Convite para a Laura foi encaminhado!

Escrito por Zé às 15h07
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