Lê aí... depois volta e comenta...
Link para um texto do Observatório da Imprensa sobre jornalismo científico. O texto aborda algumas questões interessantes para esta conversa que estamos levando adiante aqui na praça. Clicaí!!!
Escrito por Maikel Psico às 15h03
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Cientistas, artistas e massa: adiante com a construção da praça!!!
Há algum tempo venho discutindo a respeito da posição do artista na atualidade: tratado como um ser supremo, dotado de um dom inacessível, colocado em pedestal dourado onde recebe de algum além suas inspirações magníficas. Um ser distante para as massas, que o consomem mas nunca o engolem. O artista da indústria cultural... Talvez aí entre também o cientista. Não interessa se de Exatas, Humanas ou qualquer outra área. Dia desses tive a oportunidade de debater com um doutor em Genética, da área de transgenia, a respeito dos temas polêmicos (que não são poucos) que rodeiam toda a sua área de pesquisa. Ora, ora, se, no meio da discussão, não me veio à cabeça tudo o que a gente aqnda conversando por aqui, sobre o tal "conhecimento encarcerado" e suas "prisões de ventre" colaterais... Este senhor sofre disso. Ele concorda absolutamente que os cientistas têm a propensão natural (disse ele) de se isolarem, simplesmente pelo fato de, tamanha especificidade de sua área, não encontrarem bronco nenhum por aí que entenda patafindas do que será dito.
Então, por esse simples e solene motivo, os avanços da pesquisa genética correm sem o consentimento da "humanidade". Já que não temos ninguém "tecnicamente competente" para dialogar conosco, continuemos a colocar orelhinhas em nossos ratinhos e, nada de mais, são só ratinhos. As massas, elas que se fodam, não vão deixar de consumir, de jeito nenhum. Elas são insaciáveis, eles querem mais, querem sempre mais e nós precisamos alimentá-las. Senão, como ganharemos dinheiro???
Eu sei, tá meio fragmentado, é que tô com um pouco de pressa. Desculpem.
Maikel, lembras da revolução "virótica", que contamina célula após célula para minar o sistema aos poucos? Taí, essa é a questão. Dourado se queixa, quer quebrar também as possíveis redomas que estão sendo construídas ao seu redor. "A academia precisa ir pra rua, pra praça", vc disse. Eis o começo de uma nova e silenciosa revolução virótica. Nós somos a massa e nós temos a voz. Adiante...
Incompreensível para as massas
Entre o autor e o público, posta-se o intermediário.
E o gosto do intermediário é bastante intermédio, medíocre.
Medianeiros médios pululam nos meios, onde, galopando, teu pensamento chega. Um deles considera tudo sonolento: "sou homem de outra têmpera! perdão", e repete um só refrão:
"O público não compreenderá". Camponês, só viu um faz tempo, antes da guerra. Operários, deu com dois, uma vez, numa ponte, vendo subir a água da enchente.
Mas diz que os conhece como a palma da mão. Que sabe tudo o que querem!
Aqui vai meu aparte: chega de chuchotar bobagens para os pobres. Também eles, podem compreender a arte. Logo, que se eleve a cultura do povo! Uma só, para todos.
(Maiakovski)
Escrito por Primo Zé às 16h42
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OLHA O BONDE!!!
Foreigner,
Vale a pena retomar aqui um trecho do texto de Dourado que deu origem a toda essa discussão:
“Talvez meus colegas estejam construindo auto-prisões em seus escritórios, seus departamentos, suas salas e bibliotecas. Acredito que o conhecimento que eles produzem servem apenas para eles mesmos (e olhe lá), e para alguns seres isolados em regiões bem longínquas deles mesmos. Tenho absoluta certeza de que eles passam por uma crise de "identidade e idade intelectual", o trabalho deles tratou de isolá-los em uma redoma inquebrável, obra das estruturas burocráticas do Estado, deliciosamente intencional, como forma de fazer com que os (ditos) intelectuais se fartassem com suas próprias discussões e colocações, mas vomitassem-nas de volta no banheiro da própria casa, o que acaba não produzindo efeito nenhum.
Meus colegas viraram zumbis, sofrem de tremendas prisões-de-ventre, vivem desolados. Conversam apenas entre si. Sentam-se em sofás e olham para si mesmos como ideologias mortas e sem chance de ressucitação. Na verdade é assim que eles se sentem”.
Foreigner, você escreveu: “Não entendi que ele necessariamente ataca a academia”. Se o trecho acima não ataca a academia, então não sei o que ataca. Por acaso, o Dourado não é também um acadêmico? E seus colegas, são o que? É certo que a intenção dele, como acadêmico que é, não deve ser atacar a “Instituição Academia”, enquanto conceito, mas sim a forma que ela assumiu por “obra das estruturas burocráticas do Estado”. Desde meu primeiro comentário, tentei pensar a coisa nesse sentido. Por isso defendo que necessitamos criar pontes entre o universo acadêmico e o “mundo vivido”.
Quanto à confusão entre academia e ciência apontada por você, não sei se faz tanto sentido. A academia, por acaso, não se ocupa de produzir conhecimento científico? As regras da metodologia científica não existem justamente para isso, para tornar científico (“objetivo”, “verdadeiro”, “quantificável”, blá blá blá) o conhecimento produzido na academia? Se você disser que o conhecimento produzido nesses espaços nem sempre é “objetivo”, “verdadeiro”, etc., eu concordo. Contudo, dizer que não é isso que se pretende é outra coisa. Você poderia argumentar também que não se produz conhecimento científico somente na academia, e eu seria obrigado a concordar, mas não sem fazer um comentário antes: o conhecimento científico (ou mesmo não científico) produzido fora da academia tem nenos valor. O Bourdieu tem um conceito de Capital Cultural que ilustra bem o que estou tentando dizer: no mundo contemporâneo, diplomas e títulos, funcionam como moeda de troca em diversos campos. Muitas vezes, compra-se a atenção das pessoas com essa moeda. Sem ela, corremos o risco de ver nossos discursos serem anulados pelo "Poder Simbólico" dos outros.
Você diz que “Na verdade, o artigo dele e uma peca retorica de defesa ideologica, e nada mais” e talvez você acerte quando diz isso. A intenção de provocar, de causar polêmica e de instigar é nítida no texto de Dourado. Talvez ele se limite a ser uma peça retórica (e nada mais) se não houver gente disposta a levar a sério essa discussão.
A academia precisa, literalmente, rever seus conceitos. Do contrário, será engolida pelo sistema. É preciso mudar para convencer a “opinião pública” de que o conhecimento produzido pelos doutores tam alguma utilidade.
Escrito por Maikel Psico às 14h35
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bom dia
Escrito por Zé às 09h15
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PARTE I
Rendeiras e rendeiros
Essa conversa toda não poderia ficar no oculto da Praça. Primo Zé passeia e provoca, a Mara aparece e invoca e a conversa contagiou itinerários diversos e se faz um banco para a gente sentar um pouco e pensar no que foi dito. Só pra rimar, ficou bonito!
Maria Tereza O conhecimento encastelado, usado apenas para longas discussões teóricas em que o principal mérito consiste em provar que tal ou qual acadêmico tem maior capacidade de argumentação é muito triste e empobrece aqueles que assim o fazem. Tem mais é que encontrar soluções para os problemas ao invés de apenas apontá-los. A questão cruciante é como? Apesar da vaidade de alguns, custa crer que anos de estudo foram apenas para alimentar o ego. Quem sabe vendo o outro também como depositário de conhecimento, mesmo que não tão sistematizado quanto aquele a que estamos acostumados. 02/10/2004 15:14
Luís César Alguém já disse que todas as bibliotecas do mundo não resolveram os problemas básicos da humanidade. Vide a fome, educação universal e de qualidade... 02/10/2004 15:42
Maikel A pesquisa e a academia, na minha opinião, precisam restabelecer o elo com o "mundo vivido" (Habermas), com a grande maioria que limita-se ao que se chama de senso comum (um conhecimento desprezado pela ciência, mas que mostra-se eficiente para as pessoas levarem uma vida inteira e, muitas vezes, sendo feliz). Acho que o grande problema é que o mundo contemporâneo cria "tribos" (pra usar o conceito do Maffesoli) que se fecham para o restante do mundo. O Mundo acadêmico é um campo (Bourdieu) com leis próprias, com relações de poder e sibologias que só funcionam/valem nesse universo. Talvez seja isso que afaste o conhecimento científico do "mundo vivido". A teoria da Ação Comunicativa e a nova antropologia (Geertz) apontam caminhos interessantes para que possamos ver "o outro também como depositário de conhecimento", como sugere a Maria Tereza. Mas aí é que está a questão. Todos os que citei são acadêmicos, pesquisadores. E aí eu pergunto: devemos desprezar isso?
02/10/2004 16:38
Maikel Creio que a grande questão é que precisamos de pontes de ligação entre as diversas tribos e campos que constituem a sociedade contemporânea. Encontrar maneiras de se fazer isso é que é o "X" da questão. ´mabraço. 02/10/2004 16:39
Anajara oi eu sou filha da maria tereza mas eu nao tinha conversado com ela sobre essas coisas,ateh que eu falei daí ela me mostrou esse blog.Respondendo a resposta (oh!)que foi dada contestando se podemos deixar de lado o fato de que quem escrveu eram academicos pesquisadores, acho que podemos sim. Eu faço biologia e tenho pouquissimo conhecimento sobre as ciencias humanas, academicamente falando. Só por interesse extra academico, ou as vezes só de ficar pensando mesmo.E to de saco cheio desse negócio de conhecimento encarcerado. É uma eterna dança dos egos, a busca de quem sabe mais. É por isso que o mundo não muda.Quem tem tempo pra pensar pensa pra si e pronto. Se bem que sempre pensamso pra si, até quem se suicida suicida-se porque acha que sua própria vida não vale apena, os outros podem achar qeu sim, mas ela não, aí mata-se. Pensamos assim, tudo bem, mas produzir conhecimento pra sentar em cima dele e nso deleitar com nossa própria capacidade retórica?Masturbação mental. 02/10/2004 19:40
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 11h30
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PARTE II
primo zé Mas oh!!! aí está um termo impactante e reflexivo: masturbação mental!! Taí, gostei! Se considerarmos a cultura do umbigo (a nossa) talvez o que esteja na moda mesmo seja a masturbação mental. Chega de mãos. Passemos agora a gozar com e através de nossas próprias idéias. "EU tenho um Deus que é mais belo e eficiente que o seu deus. Minhas idéias são muito mais coerentes que as suas. Já li muito a respeito disso. Porque EU já fiz isso e já fiz aquilo. Sou dotô em porranenhuma. Com quem você pensa que está falando?". Deixa eu, Primo zé, dizer uma coisa: liguemos o ventilador, preparem a merda com carinho... Devo concordar com um argumento: a filosofia já perdeu tempo demais analisando o mundo. O que devemos fazer é mudá-lo, e não foi eu quem disse isso. Mas, a favor de mudanças, em favor de movimento, não apenas engolindo os comentários dos especialistas, que sempre tem algo a dizer a respeito de tudo, mas tudo mesmo. Estaria o prof. Dourado ciente de sua posição, como doutor?? Continua 04/10/2004 15:23
primo zé porque, em diversos momentos, ataca a sua própria condição, seu próprio meio e porque não dizer a si próprio. Professor Dourado é um dinossauro que acorda lentamente... 04/10/2004 15:24
Maikel Não sei se o melhor caminho para um mundo melhor é desprezar a filosofia e partir para a ação. Agir ser refletir pode levar a caminhos estranhos. A questão, pra mim, neste caso, não é dividir, unir. Unir saber prático e saber teórico. Unir ciência e senso comum. Academia e dia-a-dia. Não falo num projeto moderno onde a ciência é comanda todos os outros universos, mas num projeto outro - um projeto que leve o outro em consideração - que consiga colocar os diversos saberes lado a lado, em pé de igualdade, não para se enfrentarem, mas para trabalhar em favor da libertação do homem, em busca de um viver mais pleno. Precisamos descolonizar o "mundo vivido", restabelecer os espaços públicos, devolver aos seres humanos a voz e "O Grito" roubados. Precisamos ir devagar com os extremismos: tem muito trigo no meio deste jôio. ´mabraço.
04/10/2004 18:33
primo zé sim sim sim. Concordo, caro Maikel, plenamente com o que disse. A filosofia não pode ser colocada de lado, e não foi isso que quis dizer, mas para "descolonizar o "mundo vivido", restabelecer os espaços públicos, devolver aos seres humanos a voz e "O Grito" roubados", convenhamos que para isso existem extremismos sempre benvindos. Convenhamos que para o "restabelecimento de um espaço público" há sempre resistencia. Estamos mexendo com "Ordem", não é isso? 04/10/2004 18:52
Cade a vontade de circo? Cade o braquelo? Eh a coisa mais legal do blog! Volta a comentar, branquelo! Você é a sensacao! Devia ate mudar o nome do blog... 04/10/2004 19:05
kleber Matos Ei Branquelo, fazendo autopromoção anônima. Bom, a vontade de circo, oenso não está nas ironias finas do Branquelo. Está na disposição dos passantes. Assim, dias sim, dias não, cheia de arranhões essa vontade sobrevive. Mas acho até que o Branquelo deveria postar. Arranjar um e-mail qualquer e solicitar cadastro. Entretanto, aqui jamais se quis um circo de horrores. 05/10/2004 11:00
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 11h30
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