Primo Zé postou aqui mensagem da Mara, em que se propunha uma discussão sobre os modos de produção de conhecimento. Mandei mensagem para a Mara e para o José Dourado (professor da UNB) que faz a vanguarda dessa discussão. A rápida Mara mandou resposta que publico abaixo. Essa conversa é muito importante para os brasileiros, para a vida. Então vamos cuspir conversa com gosto. Abraços, Kleber.

 

 

 [mara]

    Caro Kleber, muito obrigada pelo convite a participar do seu blog. Vi aqui que o email que enviei para diversos estudantes e profissionais parou nas mãos do primo zé, que colocou na roda. Valeu!!! O que gostaria de dizer é que a proposta de extensão para as palestras é de autoria dos próprios estudantes. Apesar de não concordar com diversas idéias do professor José Dourado, tenho de admitir que, no mínimo, seus temas encaminham um desdobramento imenso. Eu costumo dizer na aula que ele joga a merda para os outros ligarem o ventilador (desculpem a expressão). Já que ele tá com vontade de abrir debate, então que façamos isso! Por isso o email. Voltaram muitos, consegui uma lista com o Dce aqui da Unb. Se for possível, passemos a discutir o assunto aí em Vitória, para que possamos levar o professor para uma palestra. Ah sei lá, discutindo aqui já tá bom também. Adorei o esquema de praça, muito mesmo!

30/09/2004 17:26

Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 08h50
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http://noticias.uol.com.br/educacao/ultnot/ult105u3394.jhtm

 

30/09/2004 - 10h53

Um em cada 4 brasileiros consegue compreender o texto que lê

Da Redação

Em São Paulo


O Brasil possui 16 milhões de analfabetos com mais de 15 anos (9% da população), segundo dados do Inaf (Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional), do Instituto Paulo Montenegro, que é ligado ao Ibope.

Apenas 26% da população com mais de 15 anos têm domínio pleno das habilidades de leitura e escrita. Isso significa que um em cada quatro jovens e adultos consegue compreender totalmente as informações contidas em um texto e relacioná-las com outros dados.

O restante são os chamados analfabetos funcionais, que "mal conseguem identificar enunciados simples, sendo incapazes de interpretar texto mais longo ou com alguma complexidade", aponta o Inaf.

Porém, de acordo com a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", 67% dos brasileiros têm interesse pela leitura. O Plano Nacional do Livro, Leitura e Biblioteca - Fome de Livro, do governo federal, considera que as pessoas têm vontade de ler e para estimular o hábito, agirá em várias frentes.

Uma delas é zerar o número de cidades brasileiras sem uma biblioteca. A outra é criar uma política federal centralizada para aumentar a leitura. A democratização do acesso ao livro se dará por meio das bibliotecas públicas, da revitalização das 5.000 bibliotecas existentes, construção de acervos básicos infanto-juvenis, proliferação de centros de inclusão digital, livrarias e realização de campanhas de distribuição de livros.

O terceiro eixo, o fomento à leitura, será desenvolvido por meio da formação de 100 mil mediadores, pessoas como professores e bibliotecários que, no dia-a-dia, vão procurar formas de estimular a leitura. "Eles têm que estar preparados para desenvolver formas de fomentar a leitura, sugerir livros ou mostrar outros livros daquele autor", afirma o coordenador do plano, Galeno Amorim.

Outra frente, a valorização do livro, deverá ser estimulada com campanhas nos meios de comunicação: "2005 é o Ano Ibero-americano da Leitura e, neste período, campanhas em rádio e televisão serão desenvolvidas em 20 países", disse o coordenador.

Os recursos a serem destinados ao programa Fome de Livro ainda não estão definidos. Durante o mês de outubro, cada um dos ministérios irá informar quanto estará previsto em seu orçamento para os próximos três anos. No final do mês, "teremos esse número fechado", afSegundo pesquisa encomendada pela Câmara Brasileira do Livro e pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros em 2001, 61% dos brasileiros adultos alfabetizados têm muito pouco ou nenhum contato com os livros, não existem livrarias em 89% dos municípios brasileiros e 6,5 milhões de pessoas não têm condições financeiras de comprar um livro. De acordo com o Mapa do Analfabetismo no Brasil, produzido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), 35% dos analfabetos brasileiros já freqüentaram a escola.

O título do projeto é uma homenagem a um de seus idealizadores, o poeta Waly Salomão, que costumava dizer: o povo tem fome de comida e de livros. "O governo criou o Fome Zero para combater a fome e a miséria que têm, como eixos estruturantes, a educação e a cultura. O Plano faz parte do conjunto de políticas sociais do governo federal", lembra Amorim.


As informações são da Agência Brasilirma Amorim.


Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 15h35
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Estaria o saber preso em um altar?

meus caros colegas, gostaria de repassar a mensagem que recebi de uma estudante de Comunicação da Unb, a respeito da palestra de José Ribeiro Dourado, que tratará de seu livro "O Conhecimento Encarcerado". Nos trechos que seguem, achei tudo muito interessante, prazeroso de ser discutido. Espero que não fique grande demais!

Gostaria da atenção de vocês para a realização de um projeto de extensão dos cursos de Comunicação e Antropologia da UNB. O professor José Ribeiro Dourado está realizando uma série de debates por todo o Brasil através desse projeto, e Vitória pode ser a próxima cidade, dependendo apenas da mobilização de estudantes e professores para a divulgação.

Dourado, que atualmente participa do Grupo Interamericano de Estudos da
Comunicação, sediado na Universidade de Brasília, tratará de abrir discussão
para um de seus principais focos de pesquisa: a crítica ao Estado, para
ele "manipulador de mentes".

Sob o título de "O Conhecimento Encarcerado", José trata em seu novo trabalho
de traçar um esquema das ideologias impostas em pequenas "zonas de relaxamento",
que são consumidas como qualquer outro produto e oferecem a falsa sensação
de "conhecimento de tudo". Para ele, o conhecimento como o concebemos hoje
está longe de se aproximar do verdadeiro conceito, o de "noção pública,
mas não única, não vendida, não emprestada, mas compartilhada a cada momento,
nas relações cotidianas. Conhecimento n~ao tem nada a ver com terno e gravata".

O professor Dourado andou aparecendo na mídia depois que tomou uma chuva
de ovos de um grupo ultra-direitista francês, em recente evento em Sorbonne,
no qual criticou duramente o "preconceito do conhecimento", citando grupos políticos franceses e ativistas como exemplo. Sua intenção, segundo ele, foi exatamente esta. "Galinhas
produzem apenas ovos", disse ao microfone.

O evento está sendo oferecido pelos departamento de Antropologia, Ciências
Políticas e Comunicação da UNB - Universidade de Brasília. O local, provavelmente,
será a Ufes, porém, esta mensagem está sendo enviada com antecedência para
que as inscrições possam ser feitas sem atraso. Não será cobrada a inscrição.

Para se inscrever, peço que retornem este email até o dia 03/10. Os contatos
com o professor José Ribeiro Dourado podem ser feitos através das caixas
josedourado@unb.br e joserdourado@zipmail.com.br.

Pedimos que enviem esta mensagem para outros profissionais.
Segue trecho do artigo "O conhecimento encarcerado", publicado na Revista
de Estudos em Comunicacão, outubro, Brasil, Espanha, Itália, França: 2004.

O Conhecimento Encarcerado

José Ribeiro Dourado

Embora muitos de meus colegas parecerem bastante cansados e entediados com
todo tipo de visão que possamos ter das coisas, não posso deixar de continuar
analisando as estruturas que se incumbem de perpetuar a característica vertical
das relações globais. Característica essa cada vez mais latente, em plena
era do ouro da terceira revolução industrial e midiática. Uma nova era que
ainda não tem nome, e que não cabe a mim criá-lo.

Talvez meus colegas estejam construindo auto-prisões em seus escritórios,
seus departamentos, suas salas e bibliotecas. Acredito que o conhecimento
que eles produzem servem apenas para eles mesmos (e olhe lá), e para alguns
seres isolados em regiões bem longinquas deles mesmos. Tenho absoluta certeza
de que eles passam por uma crise de "identidade e idade intelectual", o
trabalho deles tratou de isolá-los em uma redoma inquebrável, obra das estruturas
burocráticas do Estado, deliciosamente intencional, como forma de fazer
com que os (ditos) intelectuais se fartassem com suas próprias discussões
e colocações, mas vomitassem-nas de volta no banheiro da própria casa, o
que acaba não produzindo efeito nenhum.

Meus colegas viraram zumbis, sofrem de tremendas prisões-de-ventre, vivem
desolados. Conversam apenas entre si. Sentam-se em sofás e olham para si
mesmos como ideologias mortas e sem chance de ressucitação. Na verdade é
assim que eles se sentem.

Isso porque não criamos estruturas de compartilhamento. Somos egoístas por
força da produção. Ora, é muito mais cômodo. Não precisamos ouvir asneiras
de broncos que não entendem nada de nada e nunca leram sequer uma linha
de Marcuse.

Mas, afinal, de que conhecimento estamos tratando? É preciso ter cuidado
ao trabalhar o termo, visto que conhecimento hoje pode ser considerado como
facilitação das coisas; tratado sobre como promover praticidades; tratado
sobre como passar massa nos buracos da sociedade. Meia dúzia de pessoas
se reúne em determinado departamento e discutem profundamente questões durante
todo o dia, com seus conceitos, suas bases teóricas, destilando sua tremenda
capacidade de oratória, suas línguas e suas viagens, seus passados e títulos.
Esses correm o tremendo risco de se considerarem, mesmo que somente deitados
em suas camas, os detentores de conhecimento.

 

Tal efeito ilusório funciona de modo crescente e causa dependência. O conhecimento  situa-se então em zonas de relaxamento, mecanismos sociais-psicológicos de absorção de um determinado “saber” como alimento de egos.

Na verdade essa é a intenção. O saber sempre estará restrito à classe dominante.
Marx só não teve tempo de analisar que existe o saber da classe dominante
e o saber em si. Não é possível entender a situação se o estudioso imaginar
que conhecimento só se produz nas Universidades, nos grupos fechados, nas
elites chiques do intelectualismo e da arte de falar bem. Isto é imposição,
não saber.

Quando se discute a questão "estudar para ser alguém na vida", deparamos
com um grande problema: o de imposição de algo para obter algo. A proliferação
de Faculdades e o alto custo de seus cursos, bem como dos cursinhos pré-vestibular
para abastecer a classes média e alta, que dominam esses pseudo "templos
de saber" servem como retrato da situação. Classe baixa nunca vai obter
conhecimento, pois não pode pagá-lo e o Estado precisa de alguém exatamente
com esse perfil para apertar os parafusos e amarrar os cadarços nas quedas
rotineiras.

Por esse motivo, nunca, mas nunca mesmo, gasta-se mais dinheiro em educação
no Brasil. Agora, que o pepino passa também para a iniciativa privada, que
não tem o costume de solucionar pepinos, a coisa pode ficar ainda mais tenebrosa.

(...) Enfim, exprimo minha total repugnância aos senhores doutores por não
se preocuparem em solucionar questões, em vez de apenas debatê-las como
matracas irritantes. Minha repugnância aos especialistas/colunistas de jornal
que sempre tem uma opinião a respeito de tudo e manipulam a opinião pública
como manipulam seus membros inferiores. O saber não está nos templos, nas
prateleiras de supermercado, não pertence a ninguém. Todos detêm o saber.
Abaixo os conceitos pré-fabricados!! (...)


Mara Lett (mara_lett@zipmail.com.br)
Estudante - Comunicação Social UNB
Núcleo de Extensão - Nuex-COS

 



Escrito por Primo Zé às 18h45
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para dizer que não falei dos outros

PRAÇA ZÉ, O OUTRO

 

Oi gente que passa.

Agora sou praça.

Um estado de graça

prá quem quer pracear.

Verbos são assim

sem sujeitos predicando

dizem apenas

de fenômenos da natureza.

E a cultura meu amigo?

E a cultura?

Escrito por Zé às 10h08
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SERVIÇO DE


UTILIDADE PÚBLICA



ORKUT REVELA FACE ASSUSTADORA DA CLASSE MÉDIA BRASILEIRA. NAZISMO, ÓDIO RACIAL E PEDOFILIA SÃO LUGAR COMUM NA REDE DE RELACIONAMENTOS (DOENTIOS)



"Badalado pela mídia brasileira, o Orkut tem seu outro lado: ele reúne comunidades virtuais nazistas, racistas ou que cultivam ódio a crianças, velhos, argentinos, nordestinos. Há quem entre no site para declarar seu desprezo pelos pobres. Para divulgar idéias como "matar baianos" ou estuprar uma criança de 4 anos. Não são somente pessoas isoladas, mas grupos com dezenas ou até milhares de pessoas mostrando no site da vez o que a sociedade brasileira – ou aquela que tem acesso à internet – possui de pior".
(Clique aqui para ler a íntegra da matéria)

"A estudante de enfermagem Amália Cavedal, de 19 anos, dispara em seu perfil no Orkut: "O preto que eu mais amo no mundo é um rotweiller". Membro da comunidade "Nazismo", destinada a quem concorda com a "essência" das idéias de Hitler, ela teceu os seguintes comentários na comunidade "100% Branco", num tópico que discutia o fato de a comunidade "100% negro" ter ultrapassado a comunidade em número de membros: "A comunidade dos negros passou a dos brancos pq aqui não entra ‘QUALQUER UM’.""
(Clique aqui para ler o toda matéria)



Escrito por Maikel Psico às 16h59
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PSICOPROTESTO



Devagar com o andor, Zé, que eu não acredito em santos e sou torcedor do Grêmio.

Leiamos as entrelinhas do seu último “post”. Quando você diz que eu defendo “a tese que os espaços públicos viram terra de ninguém”, fica parecendo que eu acredito que o ser humano é incapaz de “estar no mundo” (ou num mundo) sem um líder. Não é isso. Os flertes com o pensamento anarquista que levo adiante lá no Psicotópicos apontam justamente na direção oposta.

Já quando a parecer “que preferimos a contradição organizada”, não discordo completamente. A questão é que essa organização não deve ser responsabilidade de UM indivíduo, mas da coletividade que “cospe conversa” na praça. O texto Zé Ninguém foi justamente um protesto contra a apatia – provisória, espero – que se instalou no blogue no momento que o ponto de referência, o Zé, desapareceu.

Lembra da conversa sobre os heróis? Talvez a ausência de um herói no blogue, alguém para receber as críticas e as declarações de apoio tenha intimidado os blogueiros. Talvez o Zé tenha se tornado o ponto fundamental para os passantes.

Quer um exemplo? Lá vai: já reparou que o Branquelo costumava dialogar basicamente com você? Mesmo para responder aos outros passantes ele recorria ao Zé como mediador, uma espécie de porto seguro.

Contudo, o fato das pessoas estranharem a nova realidade não significa, de maneira alguma, que devamos retroceder. A coletivização do blogue é um avanço fundamental. É o percurso natural para quem busca uma sociedade – ainda que virtual – mais igualitária, onde todos tenham os mesmos direitos, o mesmo espaço.

Tentemos reformular a sua interpretação de meu pensamento. Digamos que eu não defendo a tese de que TODOS os espaços públicos viram “terra de ninguém”, mas que muitas vezes isso acontece com ALGUNS desses espaços.

O protesto visava – vale deixar isso bem claro – evitar que ESTE espaço virasse “terra de ninguém” e deixasse de ser uma “terra de todos”, o que, acredito eu, era a intenção desde o começo.

Acho que é isso.

´mabraço.



Escrito por Maikel Psico às 13h57
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A PRAÇA

Amigos que passam por aqui, escrevo para lembrar da possibilidade de pracear também. Esse é agora um espaço que se tenta coletivo em sua postagem. Assim, quem desejar postar na página de entrada, que mande e-mail para koutro@uol.com.br. No momento essa é a crise da hora. Maikel defende a tese que os espaços públicos viram terra de ninguém. Parece que preferimos a contradição organizada. Alguém que nos encaminhe. A experiência agora é outra. Quem sabe uma outra experiência faça de nós outros. A parte que nos cabe. Abraços!

Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 08h36
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Quem somos nos?

como se isso fosse preciso

 

Maikel alerta. Quem somos nós? Insinua algum ninguém, mas que ninguém será nenhum por gosto. Está posto que alguém será nenhum; muitos. A doce minoria proclama ser alguém e assim nos evocamos. Bom, para não descambar em um platonismo pulsante, a dor que desconhece a lâmina, eis-me aqui para dizer que a praça são os passos e seus ruídos. Os burburinhos e os gritos. A vida cheia de graça. Desaprendi respostas. Queria nos perceber conversando, “quase sem querer”!



Escrito por Zé às 20h09
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