ZÉ NINGUÉM

Parece que a idéia de tirar as máscaras virtuais assustou os freqüentadores do blogue. Branquelo/Adolf, Foreigner, Primo Zé, Cleopata, cadê todo mundo? Ninguém visita, ninguém comenta, ninguém se manifesta. Como costumo dizer, Ninguém é um cara ativo. Ninguém se revolta, Ninguém se indigna, Ninguém reclama. O blogue de todos, agora é de ninguém. Há quem diga que o Brasil é terra de ninguém, mas eu duvido. Antes terra de poucos. Os poucos que mexem os pauzinhos e se perpetuam no poder, enquanto ninguém diz/faz nada. Mas tudo bem, “continuemos a nadar”. Se ninguém diz nada, digo eu, já que ninguém se importa.
Escrito por Maikel Psico às 15h37
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UMBIGUISMO GRUPAL
Noutra época, discutimos aqui a questão a proposta de criação de um Conselho Federal de Jornalismo no Brasil. Naquela ocasião, expressei minha relutância com relação à idéia, afirmando que temia que a iniciativa não passasse de mais uma jogada corporativista.
Ontem, ao assistir ao Jornal da Globo, a pulga que eu tinha atrás da orelha com relação aos Conselhos casou-se e teve seis filhos.
O Conselho de Medicina acaba de colocar em debate no Senado um Projeto de Lei que, se aprovado, garantirá “apenas ao médico o direito de fazer diagnóstico de doenças e indicar terapias. Em outras palavras, antes de ir ao dentista ou ao psicólogo, o cidadão deveria passar por um médico” (JG).
Trocando em miúdos, psicólogos, terapeutas, dentistas, fisioterapeutas, nutricionistas, todo mundo estaria subordinado à classe médica. Uma postura que me parece muito mais próxima da reserva de mercado do que da defesa do cidadão, da saúde ou da vida.
Posturas como essa do CM transformam tudo numa grande briga por sardinhas, onde quem perde (pra variar) é o Zé Povinho, aquele que mal consegue pagar um dentista, que dirá pagar o médico primeiro para depois pagar o dentista!
Corporativismo é umbiguismo de grupo. Não faz bem à democracia.
Escrito por Maikel Psico às 16h16
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QUE É QUE ISTO É?

Andei lendo uma reportagem de “Istoé” – a mesma que traz na capa o caso Ibsen Pinheiro – que aproveitava a passagem de Gilles Lipovetsky pelo Brasil para falar sobre a “hipermodernidade”, termo utilizado pelo teórico para definir o período em que vivemos. Menos uma explicação para a contemporaneidade do que mais um neologismo pra nomear-sem-saber-ao-certo-do-que-se-trata as novas formas (ou formas recicladas?) de estar no mundo que se apresentam, a teoria do francês foi acriticamente encampada pela revista. Nada é aprofundado. A teoria se transforma numa historinha, com lead, meio e fim.
É engraçado perceber como a Indústria Cultural adora os “apocalípticos”, pra usar o termo popularizado por Humberto Eco. Engraçado é que a postura da “Istoé” (assim como a de “Veja”), historicamente, está bem mais próxima da dos “integrados”. Engraçado ou natural? Vai saber! Sabe-se só que a teoria de Lipovetsky é boa pra mídia. Lida com temas polêmicos e pode ser mal mastigada pelos jornalistas e entregue ao povo assim, sem arestas e sem sentido. Hoje em dia engolimos neologismos pseudo-teóricos como se engolia vanguardas artísticas no há pouquíssimo tempo. A arte abstrata produziu telas em branco. O que será produzido pelas vanguardas teóricas e seus neologismos?
Nada contra o Lipovetsky. Vai que ele esteja certo? Acho até que está.A pulga que fala detrás da minha orelha desconfia é da empolgação das revistas semanais e do excesso de simplificação. Renomear a coisa, neste caso, não esgota o assunto. A lepra virou hanseníase há pouco tempo, mas continua fazendo apodrecer...
Escrito por Maikel Psico às 18h32
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“Marta” o Serra, diria um petista de Pindamonhangaba?
Desconfio que a cidade de São Paulo viva hoje as prévias da eleição presidencial de 2006. Estou longe de lá. Moro em Vitória–ES, mas acompanho principalmente pela internet esse pleito. Não acho que ele seja mais importante que os demais ou quem ganhar, saí na frente. Mas em Sampa, parece-me, há um afectar-se mais intenso em relação aos projetos do PSDB e do PT. Bom, tudo isso, para comentar a participação do Lula nessa história. Ele esteve em São Paulo no sábado e inaugurou uma obra junto com a Marta e pediu voto. Daí, em seguida, devaneios: impedir o Lula de continuar seu governo e a Marta de tentar a reeleição. É pra rir a reação tucano-pefelê. Beira a crise máxima que o aparato judiciário poderia dispor ao cotidiano nacional. Assim o povo não aprende e não ensina. Que está errado, está. Daí a propor o impedimento de ambos vai uma distância absurda. Lembro da copa de 82, quando o Rossi meteu aqueles três gols no Waldir Peres, naquele início de tarde aqui no Brasil e lá pelas tantas, depois da tragédia, um locutor no rádio, em Juazeiro do Norte – CE, me dizia que havia a suspeita de que o italiano estaria dopado e que um novo jogo aconteceria em dois dias. A felicidade voltou, mas tão efêmera quanto nunca. Absurdos nem sempre são pedagógicos. Tão absurdo a reação tucana como a de um petista de Pidamonhangaba, que viesse a sugerir que se mate o Serra para se ganhar a eleição, quando a escrita da sua fala sugeriria que ela e ele poderiam vir a ser a mesma coisa: “Marta o Serra”. É isso. Abraços e vamos pensar!
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 12h00
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O leve começo, quando já era há tempos
O tempo tem uns segundos esticados,
outros rápidos demais.
Estratégias para ser primeiro.
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 12h23
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