Sobre o outro, sobre a gente
Havíamos que decidir sobre o outro. Tudo indicava sua culpa. Indícios e testemunhas falavam além da breve escuta. Assim lhe demos sentença. Com ele, fomos nós todos, atados simplesmente à verdade que lhe tínhamos amputado. Com ele, fomos nós todos, mas até hoje, penso; apenas ele teve a impressão desse percurso.
Zé, o outro.
Escrito por Zé às 17h32
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Novas faces dessa conversa
Concordo com o Otávio Frias Filho que o jornalismo deve ter mecanismos diferentes de controle devido ao caráter diferenciado da profissão. É uma questão prática. Como identificar algo como "denuncismo" sem o devido processo judicial? Já que não é o procedimento que está em questão como nas demais profissões e sim o resultado, como ter um corpo de profissionais para julgar? Ademais, acho que as empresas tem todo o direito, senão o dever, em participar dessa discussão. Quanto ao interesse dos governos em controlar a imprensa, isso é evidente (como, novamente, o caso NYT deixa claro). Aliás ele disse que todo governo, isso é, todos os governos: federal, estaduais e municipais, além dos de outras nações. Assim o PT já foi governo sim e realmente tentou controlar a imprensa (há diversas acusações no Rio Grande sobre isso). No mais, não entendi sua acusação de a Folha estar escondendo os assédios dos governos. Lembra o caso do Collor? Foreigner | 12/08/2004 21:07 Responder este comentário
Escrito por Zé às 17h07
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Para dizer, para ouvir, para conversar
Abaixo publiquei fragmentos da coluna do Otávio Frias Filho, publicada na sua Folha de São Paulo. Por certo, seu texto, mesmo em fragmentos é revelador. Diz de dificuldades de regulamentar o jornalismo e isso, por si, se faz condição para deixa-lo na situação que se encontra. Certamente isso lhe agrada. Entretanto não agrada aos jornalistas, se tomarmos por referência a palavra da maior entidade representativa dessa categoria no Brasil, a FENAJ. Se que produz a informação clama por regulamentação, por que quem a toma por mercadoria faz crítica tão veemente?
Outro ponto nebuloso do discurso Frias é a franqueza com que afirma que qualquer governo busca controlar a informação no Brasil. Bom, que se saiba o PT está sendo governo pela primeira vez. Por que ele não relata com a mesma fluência os possíveis assédios que possa ter tido? Se não os teve, porque motivo leviano afirma algo de tal gravidade? Bom e sendo essa a verdade, não seria melhor regulamentar esse exercício profissional, através de amplo debate que envolvesse a sociedade, instituições, escolas formadoras e os jornalistas. Outros senhores donos de jornal talvez não tenham a mesma postura do Frias e aí a salva-guarda social seria sim, uma profissão passível de fiscalização comprometida com o público.
Por fim, o senhor Frias aconselha ao Congresso Nacional o melhor procedimento ante a questão, se não houver mesmo outra saída, além de aprovar o tal projeto. Puna-se com “reprimendas morais” pois acredita que o tempo mostraria a verdade acompanhado aquele que foi vítima. O jornalista Mino Carta conta que o jornalista Cláudio Abramo (infelizmente já falecido) fora demitido da Folha por uma certa aposta equivocada, ainda na época do regime militar pelo Frias de plantão, em quem viria a ser o manda-chuva nacional. Alguns meses apenas mostraram que Abramo tinha razão. Não consta até hoje tão reconhecimento pela Folha. Quem o fez, mais de uma vez, foi o Mino em sua Carta Capital. É isso, abraços, Zé o outro.
Escrito por Zé às 16h10
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A VOZ DO DONO QUE FAZ EM CASA SEUS PRÓPRIOS JORNALISTAS
Pérolas desse dia!
”Muitas pessoas se perguntam, porém, e com razão: se advogados, médicos e engenheiros estão submetidos a conselhos semelhantes, por que não os jornalistas? Estes também não cometem erros graves e não há, em seu meio, profissionais irresponsáveis e ineptos? Claro que sim. Mas a regulamentação da imprensa oferece riscos e dificuldades que não existem no caso de outras profissões.”
”A outra peculiaridade do jornalismo é que nenhum governo tem interesse em tutelar advogados, veterinários ou paleontólogos, mas todo governo está vivamente interessado em tutelar jornalistas se lhe for dada a chance. Melhor ainda se puder fazê-lo com a mão do gato, por meio de um entidade títere, de modo a se eximir do desgaste de censurar diretamente a imprensa”.
“Se o Congresso Nacional quiser entregar mais poder ao governo do PT, que ao menos limite as sanções que o conselho poderia aplicar a reprimendas "morais", sem força para cassar o direito de críticos e desafetos de exercer a profissão. Ficaria opinião contra opinião, e não demoraria para as sanções serem exibidas como atestado de independência e integridade pelos que as recebessem...”
OTAVIO FRIAS FILHO, o homem-Folha de São Paulo
Escrito por Zé às 15h51
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JORNALISMO
Rola no Brasil de hoje uma discussão sobre um projeto do governo Lula que cria um Conselho Federal de Jornalismo. Assim como já existe para médicos, psicólogos, odontólogos, engenheiros, arquitentos, enfermeiros, assistentes sociais, etc. Para jornalismo não há. Importância do projeto: penso que normatizar discussões sobre a liberdade de imprensa no âmbito da categoria, já que essa teria a determinação de fiscalizar o exercício profissional. Assiste-se a uma forte reação contra a proposta: Rede Globo, Folha de São Paulo, etc e etc. Instituições preocupadas com o cerceamento. Ora, mas busca-se o contrário com essa proposta, já que se inventa uma instituição de abrangência nacional e de caráter público para encaminhar as questões referentes ao jornalismo. Na verdade o que se chama de liberdade de imprensa hoje significa interesse de empresa. O jornalista profissional apita quase nada. Mas a gente consome o que os caras digitam. E aí? Acho que é hora da sociedade se posicionar. Se um outro mundo é possível, o caminho é transformando o que se tem. Você colocaria a administração da saúde pública nas mãos dos donos de hospitais? Porque então deixar a administração da informação pública nas mãos, apenas, dos donos dos meios de comunicação? Ta na hora de falar.
Abraços, Zé.
Escrito por Zé às 08h42
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Confusões correndo atrás do próprio rabo
Sei, o ditado não é assim. Mas é essa a imagem que me vem. Conversas informais e sempre aparece um relato de uma confusão que não se entende bem os motivos do aparecimento e mesmo da sua manutenção. Eu mesmo, ou melhor, o outro mesmo passa por isso ao lidar com os outros por lá. Os outros têm sido contados numericamente apenas. Assim as pequenas e grandes confusões, cotós de si mesmas, correm atrás do próprio rabo, como se nele existisse uma saída. A passagem seria outra.
Abraços, Zé.
Escrito por Zé às 10h35
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