Sobre os retornos
Parece estranho um retorno. Volta-se para onde já se estivera, sem no entanto voltar a um outro tempo, já conhecido, dali. Refiro-me ao lugar para onde me volto. Estou outro e o lugar também. Os lugares ultimamente mudam mais que a gente. Parece até que a gente tenta os acompanhar. Mas somos nós que os fazemos. De alguma maneira percebida e de outras sem percepção. Talvez sentimentos que se expressão em linguagens difusas e esquisitas ao convencional. Uma linguagem absurdamente singular, que requer apropriação para que se faça um entendimento. Talvez daí tantos desentendimentos. Cheguei enfim ao meu interesse, para onde retorno. Volto-me para os desentendimentos contemporâneos. Falar deles é o que me interessa. Abraços e vamos conversar!
Escrito por Zé às 09h30
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Maravilha de vida. Voltei!
Escrito por Zé às 17h07
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A pedagogia do olhar
Foi que pensei que se o mundo estivesse dividido entre porra-loucas e filhos da puta, não seria muito dispendioso para mim, agregar-me aos primeiros. A sacanagem sem gozo me irrita profundamente. Muita mesquinhez ou coisa que o valha. Fora de qualquer propósito de felicidade. Era isso que eu buscava; propósito de felicidade. Os porra-loucas pareciam ter algum. Quando bebiam riam com facilidade e quando não bebiam, não conseguiam disfarçar a sede, mesmo tentado. Suas desculpas vazavam ao molde do absoluto, que muitos buscam para o que dizem. Quando comiam...; bom quando comiam aí é que ficava translúcido o espaço entre as microconstelações que se abrigam em seus olhares. Era engraçado ver brilhos emergindo do escuro de seus olhos. Saltavam a face como invertendo a função que a natureza havia lhes guardado. Antes de ver, eram vistos.
Foram circunstâncias como essas, que me levaram ao hábito dos porra-loucas, apesar de ter nascido num mundo de filhos da puta.
Escrito por Zé às 17h33
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mensagem enviada a Clovis Rossi
LER ANTES A POSTAGEM ANTERIOR
----- Original Message -----
Sent: Tuesday, July 26, 2005 10:24 AM
Subject: pt, londres e cada um diz o que quer
Caro Clóvis,
vá lá que cada um possa, numa sociedade liberal, dizer o que bem quer, sabendo que isso tem desdobramentos e tal.
Bourdieu, pensador francês infelizmente já morto, em livro intitulado Sobre a Televisão, faz análise dos sentidos que o fazer jornalístico efetua no ambiente social. Aponta lá, em tom de severa crítica, que os jornalistas usariam um óculos peculiar, que determinaria um ponto de visão distinto dos sentidos reais à vida pública. Veriam coisas que só eles vêem, por se permitirem submeter ao mesmo tipo de interdição.
Ante o detalhamento de sua análise, suspeito que esteja a andar com um subproduto dessa égide do jornalismo liberal, talvez para sobreviver nesse ambiente: microscópios sobre a visão.
Sugiro alongamentos no pescoço, para evitar dores permanentes.
Boa sorte, saúde e bola pra frente.
Kleber
Escrito por Zé às 10h28
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São Paulo, terça-feira, 26 de julho de 2005 |
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CLÓVIS ROSSI
As digitais do PT em Londres
SÃO PAULO - Assim que soube que era mineiro o brasileiro morto no metrô de Londres, em "trágico" equívoco, voltei mentalmente a Oxford em novembro de 2002. Estava cobrindo a outorga ao então presidente Fernando Henrique Cardoso do título honoris causa da legendária universidade da cidade. Na manhã seguinte, no hotel em que me hospedei, trombei com duas mocinhas, também mineiras, penando na faxina. Contei essa história à época. Lembro-me de ter perguntado o que faziam naquele fim de mundo (visto do Brasil, claro), num frio de rachar. Resposta de uma delas: "O senhor sabe que eu nem sei? Queria tanto um solzinho". Pois é, aumenta dia a dia o número de brasileiros que fogem do generoso sol tropical em busca do sol da esperança lá fora. Em tese, a eleição de Lula, que já havia ocorrido quando topei com as mineirinhas perdidas em Oxford, deveria ter trazido o sol da esperança para estes tristes trópicos. Mas, no domingo, no "Fantástico", um parente ou amigo (não deu para anotar) de Jean Charles de Menezes, o morto no metrô, reclamava providências do governo para que outros brasileiros não precisassem mais fugir em busca da esperança. São tantos que, sempre segundo o "Fantástico", o número dos que foram pegos, só neste ano, na tentativa de chegar aos Estados Unidos, via México, supera a marca registrada nos 13 anos anteriores. É justo dizer que no revólver que matou Jean Charles estão também as digitais do PT e de seu governo, incapazes de criar a esperança que o mineiro foi procurar tão longe. De ricochete, as balas atingiram igualmente o slogan "a esperança venceu o medo", mais um caixa dois do PT e de seu governo. |
Escrito por Zé às 10h25
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Esse momento que o Brasil passa é angustiante. Isso em parte se deve ao PT-partido. Não sei precisar o tamanho dessa parte, mas não seria pequena, caso arriscasse. Entretanto cabe a história das conveniências dos que se apresentam como elite (de qualquer coisa que seja) o maior bocado. Nossa dívida, foi feita por essa elite e a maior evidência é a possibilidade de gasto. Como se explica a riqueza.com.br?
Não se deve poupar de crítica, defensores desse governo, como fui e de algum modo ainda sou. O crime entretanto está em poupar-se do próprio veneno que se destina ao outro.
Escrito por Zé às 20h58
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E eu que pensei ser possível aprender o PT e ele parece que já se vai.
Escrito por Zé às 21h33
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APRENDIZ DE PT
Amigos, penso aqui, penso acolá e venho dividir com vocês alguns dos meus pesares. O primeiro e talvez o mais importantes deles hoje: o PT é hoje muito mais movimento de que partido.
Já havia defendido essa tese lá atrás. Agora retomo, pois veio-me a imagem, que mais que nunca, o Brasil é PT. Não de carteirinha, mais anda ali, do ladinho. Vê só, assistindo ao vivo passagens da CPMI, vejo deputados do PFL e PSDB, principalmente, a lamentarem em nome da “única” militância popular, que agora se via enganada, enxovalhada e outros adas mais. Esses caras são PT.
Fiquei meio preocupado com a síntese, mas vamos adiante. Direita e esquerda acusando a entrevista do Lula de armação lá na França, do Gabeira ao verdadeiro homem da mala, Jorge Bonhausen – concordância de antípodas no mesmo processo; são PT.
A imprensa manchetando sem consistência, só pode ser PT. Por aí vai.
Bob Jéferson, como Saçá Mutema maladragem, de moral comprometida mas convicção ilibada; é PT, só pode. Isso não é brincadeira. É sério. No PT, quem acompanha de perto, já viu situações semelhantes “n” vezes.
O PT fez escola. Hoje é movimento. Mas o PT partido, parece ter aprendido pouco. Parece mesmo ter desaprendido. Eu, um ignorante confesso - aprendiz de PT - teimo em não jogar pedras agora. Minhas forças não são tantas e me sentiria muito mal em apedrejar alguém em nome de FHC.
No mais, socorram-me. Onde não há petismo no Brasil?
Escrito por Zé às 20h03
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Tenho ouvido por aí e hoje Cony diz em coluna na Folha de São Paulo, que a crise é o Lula. Sua incapacidade de gerenciamento. Sem mais delogas, penso que é a isso que se presta essa coisa toda. Não é golpe, é pedagogia. É como se o povão precisasse aprender que o que ama, não pode levar para a cama. Para cama deve ir o adequado, o higiênico, o que sabe fazer o que é preciso. Acho que o Barthes é que falou que facismo não era impedir de falar, era fazer falar aquilo que se quer que fale. Nem sei se concordo com isso, mas isso, nessa manhã de segunda me veio. Abraços gente!
Escrito por Zé às 07h41
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Voltei. A proposta é a mesma. Cuspir conversa. Agora sem imagens. Textos para o pensar. Quem quiser que conte outra, mas não em linguagem econômica. Voltei também para reafirmar coisas que publiquei aqui e discutir a vida sem tanto pesar. Vim para falar de Lula, de futebol, de literaturas e leituras. Voltei para falar das mídias de massa e das anoréxicas - como a que produzo. Voltei para rever os amigos da praça e espero não voltar só. Grande abraço!
Escrito por Zé às 09h40
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Oi, tem alguém aí?
Escrito por Zé às 07h16
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Doze mil trabalhadores sem-terras estão na caminhada rumo a Brasília, para cobrar do governo federal a engavetada reforma agrária. A mancha vermelha vai invadir a capital do latifundiário improdutivo. Naquela calorenta cidade do planalto central, o que se planta é deputado federal, senador, ministro de estado, Severino Cavalcanti e os cabides políticos do nepotismo. Chove dinheiro público o ano inteiro, afastando a possibilidade da seca prejudicar a colheita. A máquina agrotributária trabalha muito, cobrando bastante impostos, semeando juros.
Escrito por Amanda Tote às 08h28
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AQUI COMEÇA. AQUI TERMINA. AQUI ONDE ESTOU. ACOLÁ. ONDE VOU. É SEMPRE MEIO. A FOLHA EM BRANCO. O CONVITE PRA O TINTEIRO. A FOLHA CHEIA. ALGUMA IMAGINAÇÃO. OLHO NAS LETRAS. ATÉ QUE A SINTAXE SE DISOLVA. E DE PÓ.VIRE POEIRA EM OUTRO OLHOS, OUTRAS FOLHAS, OUTROS SENTIDOS.
A MOSCA DO RAUL. A "BARATA" DO FRANZ.
Escrito por Zé às 16h54
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Resposta (aberta) ao amigo Jean –
Conectei-me para ver e-mail e resolvi dar uma passadinha pelo “Crônica”, “Insólitos”, “Arca Brasil” e, por fim, “Praça”. Fiquei surpreso com a carta que o Kleber postou para mim. Na verdade ele está a responder, também, a Tote e, de uma forma geral, a todos que por aqui passam. Não poderia, então, deixar de respondê-lo neste mesmo endereço. Tenho refletido um pouco sobre blogs. Quando você diz na carta “É que ando de pouco senso e gosto, vir aqui para dizer algo e esperar eco” pensei na idéia de amadurecimento do uso do espaço. E por que se deu dessa forma? Esgotamento! Essa é a palavra, acredito. Depois de um longo período escrevendo o “Personas”, dei-me conta que também havia esgotado uma certa dissimulação, um certo “tampar o sol com a peneira” quando me posiciono diante de meu blog. Sim, o nome deste formato é blog. Sim, o que estamos a alimentar é um blog! O que estou a dizer, afinal? Falo do vício que um blog desenvolve em nós. Falo dos nossos textos, das nossas idéias mendigando um registro no campo de comentários. Ora, a partir do esgotamento damos conta, e nos envergonhamos, que não há a necessidade do leitor manifestar-se no sentido de estar “massageando” o ego do autor de um blog. Este já é um vício recorrente. Admitamos, nós, autores de diários virtuais, o quanto isso se tornou um vício desprezível. Exigir menos a caridade do leitor e mais o engrandecimento “espiritual” do autor. Deve ser dessa forma, pois devemos ser duros conosco para podermos crescer um pouco mais e com dignidade. Mesmo explicitando essa idéia, tenho certeza que muitos negarão que as coisas se dão dessa forma num blog. E não é a negação a maior verdade quando julgamo-nos diante dos outros? Vale dizer, então: talvez uma solução mais próxima do aceitável seja a comunicação off-line entre autor e leitor. Caso o que lê tenha necessidade de ressaltar algo do texto poderá fazê-lo diretamente com o autor através de um e-mail que o Blog deixará disponível aos visitantes. Mas, Kleber, pode ser que não é nada disso que você esteja a falar...
Um abraço do amigo Luís.
Escrito por Luís César às 19h26
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Carta aberta ao amigo Luís César
Caro amigo,
Espero que tudo esteja bem com você e aqueles que também lhe são caros. Por aqui, vou indo em meio a e-mails e outras comunicações que se encaminham e se interrompem, sem que a gente saiba direito os motivos. São os trumbicamentos que toda história possui. Gargalos, porque não.
Pois bem, escrevo-lhe abertamente para dizer não dos motivos da Praça parecer cansada, mas para tratar do cansaço que me acomete. É que anda de pouco senso e gosto, vir aqui para dizer algo e esperar ecos. Sei que aqui e acolá reverbera, como seus Picles o fazem hoje, mas penso que estacionei no banco da Praça e de silêncio em silêncio, resolvi andar pela cidade. Coisa que não fazia há tempos. Ia na casa de poucos amigos e raras vezes nos ultimamente. Daí essa idéia de que a praça não pode ter endereço. Permanece entretanto esse. Para dizer qualquer coisa, de quando em vez. Mas vou tentar outros modos de convivência aqui na dita blogosfera, quem sabe mais dispostos a instantaneidade e transfiguração dessa mídia eletrônica. Ressalto entretanto que não faço isso por comodidade, mas porque tudo estava parecendo cômodo demais para um quarto só.
Fico nessas linhas e a gente se encontra em outras certamente.
Grande abraço!
Kleber
ps: Já havia mencionado que desenvolvo pesquisa sobre a temática da cibercultura. Devo dizer que entre outras coisas, essas existências de Zé, de outro e de Praça fazem parte dessa discussão que faço. Assim, a quem interessar possa, até setembro/outubro, haverá uma tradução textual do que tento pensar agora.
De novo abraços e até...
Escrito por Kleber Jean Matos Lopes às 15h55
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